19 Maio 2008

urbextrato II - autojabá

UrbeXtratoII - Tecnica mista sobre tela - 130x130cm - 2008

E só andar por aí (supondo logicamente que você more ou passe boa parte de seu tempo numa destas metrópoles-pós-tudo) de olhos e mente bem abertos. Nada de novo a não ser uma nova maneira de ver. As coisas estão lá mas a velocidade absurda imposta pelas necessidades criadas por nos mesmos, criaturas esquisitas, nos impedem de enxergar aquilo tudo. Camadas e camadas de tinta/papel/melecas em geral desgastadas/carcomidas/desbotadas pela inexorável ação do tempo e suas intempéries. Pois bem, e disso que se trata esta série "urbextrato". O tempo/espaço condensado em tela, experimento que visa recriar "instantaneamente" o que a cidade leva anos para acumular em sua pele. Ou algo assim...

Se pans, logo-logo de volta às paredes(só que desta vez, dentro de uma Galeria) junto com as fotos que deram origem a coisa toda.

E preste atenção! Se ainda não conheçe, conheça: bendingcorners.com
e baixe uns poadcasts cabulosos ,com o supra sumo da quintescência do
jazzgroove e adjacências para seu deleite, capisci?




12 Maio 2008

Sem Frescura, porra!

a capa da bolachinha


Vivemos um tempo muito estranho, embora existam aqueles que afirmem que estranho é sempre o tempo no qual se vive e que a história humana é marcada pela estranheza geral. Quer dizer, o mundo sempre esteve para acabar, seja no próximo ano terminado em zero, ou quando um cometa passa depois de 80 anos sobre nossas cabeças. De qualquer modo estou sendo meio dramático para me referir a uma constatação alheia mais específica, colhida no balcão de um boteco destes maravilhosamente ensebados por anos de cotovelos que fazem parte de corpos de sujeitos que sempre após muita cachaça, começam a praticar a popular filosofia de botequim. Peguei o bonde andando, mas sentei na janelinha e escutei exatamente o momento em que o sujeito dizia:

- Cara, hoje em dia, só o fato de uma banda fazer um som sem frescura já deveria valer um prêmio.

Pois bem. É isso ai. Deveria mesmo. Deve. Mesmo correndo o risco de, ao ganhar o tal prêmio, conseguir notoriedade e devido a esta, um contrato fodão e sendo assim ter que se dobrar às exigências de um executivo-de-gravadora-imbecil(pleonasmo para efeito dramático), desses que odeiam música e sendo assim, acabarem virando uma banda cheia de frescura

Ok, eu sei o que é tentar viver de arte e seria um escroto se não reconhecesse que concessões existem sempre, afinal é um Mercado e sendo assim, possui suas regras internas. Mas é preciso limites.

Mas, como eu acabei concordando com o chapado acima citado, cabe a mim aqui citar um exemplo que vai muito além do tal “som sem frescura”

Trata-se da bolachinha sonora de uns caras acima de qualquer suspeita. Rock’n roll pronto e acabou. Sem frescura. Ou, indo ao ponto: o CD VELOCIDADE MARGINAL – dos meus camaradinhas da Banda Cara Suja.

Se você faz parte daquele grupo de esquizofrênicos(como eu) que consegue montar coletâneas de MP3 que vão de Miles Davis a Radiohead, ou se ainda não chegou neste estágio mas já anda meio deprimido achando que o rock tá ficando meio cuzão(idem), passe no “carasujapontocom” ou no orfuck dos caras e vê se eu estou falando bobagem. E preste atenção nas datas pois ao vivo os caras são do CARALEO, capisci?


OBS: NÃO, isto não é Jabá e SIM, os caras são meus brothers e o projeto gráfico da bolachinha foi feita por este escriba.

os Caras(clickados pelo grande Fabio "china" Matsubara)



04 Abril 2008

a re-volta(i can't get no...)

Pois bem... de novo a tal história: tempo X prioridades. sobre o que falar não é o problema, já que prá alguém que cortou o Gardenal da dieta o mundo anda muito mal. ou não? então pra que insistir nesta coisa já tão esgotada de escrever em BLOG! Pra quem? Pro ego é que não pode ser, pois aí também seria caso de fracassus absolutis, mal que acomete muita gente que fica se achando por divagar sobre tempo e coisas que tais em espaços gratuitos e entochados de inutilidades que pululam pela ynternéte afora. Alguém lê? Parecemos viver num momento da humanidade onde a imagem ocupa descaradamente o lugar da tal "realidade". Como no conto do Borges onde a busca por um mapa(simulacro) perfeito de um reino, leva os cartógrafos a o ampliarem até o tamanho exato do tal reino e as pessoas passam então a viver sobre o tal mapa. De fato, o problema em sí não é exatamente "as imagens", mas sim o caráter de "verdade" que intencionalmente se atribui a elas. Veja o caso das propagandas na tv. Cria-se uma imagem de sucesso, bem estar ou coisa que o valha. Tipo aquelas famílias em comerciais de margarina. Aproxima-se ao máximo aquela imagem de algo real, palpável e até imprescindível no que diz respeito a ser feliz( quem é que acorda animado daquele jeito?... OK...ok... mas todo dia??) Bom, fica decretado: Ser feliz "é" aquilo. Ser feliz não "é" algo diferente daquilo. Passar "aquela" margarina no pão quentinho é sua obrigação.

Parece tudo meio clichezão nénão? Pois é isto mesmo, um clichê. Uma forma. Um molde. Se encaixe ou você é um looser, um mané. Compre aquele carro bem bacana/fume o cigarro dos mais sábios/beba a cerveja da gostosa/case com a modelo famosa/coma no restaurante da hora/tema tudo que for diferente/ponha um ambervision na cara para ver tudo mais claro/siga em direção a morte por se preocupar demais com a vida/perca o sono pensando na fama/feche logo a porra do vidro do carro!/jogue fora os velhos livros/tome o comprimido pra cabeça que faz mal para o estômago/tenha o microondas que tosta/compre logo sua sepultura(os vermes estão lhe esperando...

De qualquer modo, as imagens estão aí para ficar. Então é preciso entender que elas não são a realidade. A imagem de uma mesa, por exemplo, não é a mesa em sí. Assim como a palavra"mesa" não é a mesa. A imagem, assim como a palavra é linguagem, então precisa ser decodificada, assim como para lermos isto tudo, precisamos de um código comum(alfabeto) e acima de tudo, capacidade de reflexão.

Mas vamos com calma... Vejam o caso do belo trabalho da bela Kelli Connel.
Preste atenção nas imagens brilhantes por sí mesmas, mas procure ir além, ou se manjar um pouco de inglês vá na seção "information" e entenda de que maneira ela resolveu discutir os conceitos de imagem, identidade, realidade x ficção e o scambau. Depois a gente monologa mais sobre o assunto.

E pra não perder o hábito: regue tudo isto com o delicioso azeite que que é a voz desta ex-carcereira cinquentona Sharon jones + Dap-kings
(que é aquela "bandinha" fodona que acompanha a fuckinfreakplus da Amy adega( ou casa de vinho?)

Estamos aí de volta

Capisci?



go sharon go

26 Setembro 2007

Pule este post.

Mesmo correndo o risco de estar resmungando um monólogo chato e redundante pra mim mesmo, e assim andar em círculos em torno das mesmas idéias e patinar meio que sem saber o que fazer. Corramos o risco(aí já supondo que somos ao menos dois) e vamos lá.

Sim, sumi. E o mundo continua girando tranqüilamente. Mas vivo estragando churrascadas com o batido discurso de que temos que tomar providências em relação a merda toda que nos cerca. Mesmo que seja falar sozinho ou encher o saco do cobrador do ônibus que não entende muito bem porque está tão lascado e acaba atribuindo tudo à vontade daquele sujeito tão requisitado nos dias de hoje: sim mon ami, Deus!

Temos os Renans Caralhos da vida. Saindo triunfantes e quase ilesos de uma enrrascada que teria tudo para ser a abertura de um precedente importantíssimo na história da Terra Brasilis. Mas não, pra vergonha daqueles que ainda a possuem, a sacanagem imperou, a sujeira se firmou como regra e parece que o eleitor que colocou os facínoras lá, nem tchuns...

Pois bem amiguinhos (aguentem firmes! serei o mais breve possível) esta palhaçada (nada a ver com a manifestação artística de origem cirecense) é fruto de nossos atos! Ou não/atos. "A coisa tá feia" ponto. somos NÓS que fazemos a COISA meu amigo! E até onde posso observar, a maioria gostaria mesmo é de estar lá, no lugar dos tais pilantras safados.

OK. O buraco é mais embaixo/a coisa não é tão simples assim / você esta sendo muito pessimista / faz parte do processo / é preciso manter a governabilidade / eu quero é que se foda / vou juntar uma grana e picar a mula / se eu não meter a mão outro vai meter / dane-se desde que eu mantenha a minha boquinha / politico é tudo safado / a culpa é dos portugueses / é o calor / não há provas / o mundo é dos espertos / na época da ditadura...(sinal da cruz) / no haiti é bem pior / falta dinheiro / o problema é que rola muito dinheiro / eteceteraeteceteraetecetera.

Ora pois. Somos nós que nos recusamos a tratar dos assuntos com responsabilidade. Somos nós que preferimos discutir amenidades, afinal "meu dia já foi duro demais, vamos mudar de assunto". Somos nós que assim que conseguimos pagar o aluguel, esquecemos dos discursos de juventude. Somos nós que resolvemos calar a boca em troca de estabilidade num emprego fantasma numa sala cinza com um relógio na parede que não parece querer andar. Somos nós, "amigos da rede globo" somos nós que elegemos um bando de calhordas safados para definir secretamente o nosso destino.

Já disse e digo de novo: foi você que os colocou lá e eu, que não os coloquei mas também não descobri outras formas. De qualquer modo, eles são empregados. E nós, ó Dulcinéia querida, somos os únicos agentes de possíveis mudanças. E chega.

Só mais uma coisa: ACORDA CARALHO!


Bom, louça lavada? Free Your mind... and your ass you follow (procurem por aí, sabcumé né) do bando extraterrestre capitaneado pelo maluco de pedra George Clinton:FUNKADELIC. E fique parado se puder. Se pans, a gente se vê porraí.



08 Fevereiro 2007

Nada de novo + alguns clichês inéditos + um cd do bom

Esta parada de ano novo é uma onda muito grande e as vezes perigosa...

Não amiguinho, eu AINDA não mudei pra Maui . Acontece que, vai ano vem ano, a gente se pega prometendo quase sempre mais do que sabe que vai ser possível praticar. Pois bem, daí pra correria e desta pro tombo é um pulo só. Então, sabendo destes processos automáticos que nos transformam(inexoravelmente) em zumbis estressados, vamos todos no óbvio de sempre: AGORA é onde tudo acontece. nada... n-a-d-a aconteceu, acontece ou acontecerá em algum momento que não seja AGORA. a gente só age no agora mas geralmente pensa no que foi ou no que talvez seja. Outro clichezão? OK. Vida é aquela parada que passa, enquanto você está ocupado demais com outras paradas. Capisci? Tente ficar esperto o maior tempo possível. Não vá, só porque todo mundo esta indo. Outro? Muitas coisas absurdamente improváveis, adquirem status de realidade só porque muita gente louca passa começar a acreditar nelas . Pro bem ou mal de nós mesmos, criaturinhas pitorescas!

Mantenha-se acordado na maior parte do dia. Desconfie sempre da vida mostrada nos comerciais da TV. Paradigmas: quebre-os. E siga para mais um ano que começa hoje, 06/02 (para os tibetanos) ou que nem ainda começou (para os cantonenses) ou que nem é contado por muita gente no planeta, que esteja onde estiver, neste momento está em ondas muito parecidas com a de qualquer um.

Então ta. Sem muito compromisso com a clareza e para vocês 3, que são fiéis leitores deste: Feliz Desano Novo! E, se você NÃO nasceu na data de hoje, Feliz Desaniversário também!!!

Retomemos nossas desatividades(dormir, sonhar, artistar, trocar fluidos corporais, beber vinho bom(e barato)) enquanto o mundo gira há 1700Kmp/h em direção à sabe-se lá o que (onde?) e a gente mata o leão nosso de cada dia.

Só pra não perder o costume: O do Kassin. Do projeto +2. E do-carai.


14 Novembro 2006

D. Freezer Gallery is cool

D.Freezer Gallery

Lembra quando sua avó lhe dizia, baixinho, ao pé do ouvido: " Vê se não faz arte hein! "?. Pois eu não.

A bem da verdade, acho que lembro da minha vó dizendo: " Ora, deixa o moleque!"

Trata-se disto amiguinhos. A arte dos nossos tempos pós-tudo parece ter se divorciado daquela arte que a criança( feliz) pratica full time antes de crescer e ficar anestesiada.
Lógico, mas não custa gemer: arte é coisa seríssima, vai por mim.
É o registro mais antigo da humanidade e sem dúvida permanecerá de alguma forma após a gente picar a mula do planetinha azul, ok?

Isto posto: cabe aqui dizer que a arte nasce da perda momentânea do senso de ridículo, sim camarada, no momentum da tal criação, seja ela um bolo de fubá ou um curta metragem abstrato, é preciso dar um pause no senso crítico. Trata-se de fazer e pronto. Bom ou ruim é questão de interpretação (como tudo). Faça e depois, sim: Vire-se para mostrar aos outros, desdobre-se para pagar as contas e conforme-se com o fato de que amanhã você fará tudo de novo. De outras formas...

E é neste espírito que surge a D.Freezer Gallery(foto acima), espaço voltado para a divulgação de artistas emergentes e completamente desconhecidos. Trata-se da porta da minha geladeira, que tem frequência muito maior do que muitas galerias por aí e também um público muito mais freak, eu garanto. Em breve informações sobre a inauguração.





Escutando:
Schizophonic(2006), do US3
, quase perfeito!

13 Novembro 2006

sobre o tempo das coisas

foto: miguel Rio Branco


Pois é: alinhar certas coisas não é fácil. Tempo é dinheiro? E a gente passa a correr atrás do dinheiro para ter mais tempo para gastá-lo. Mas isso de correr atrás, toma muito do nosso tempo.

De qualquer modo, eu estava a correr atrás dos dois. Então sumi, mas de vez em quando passo por aqui só para ver se vocês 3 ou 4, que também passam aqui às vezes, estão ficando mais confusos.

E já que estou aqui mesmo, então digo para você que gosta de fotografia(e para você que ainda não): Dêem uma sapeada nestes caras da Magnun Photos, e viajem amiguinhos... É lógico, mas vou repetir, dê tempo ao tempo: as boas fotos tem a incrível capacidade de nos revelar mais e mais, a medida que nós nos entregamos a elas. E entrega leva tempo...

Deixe seus olhos se acostumarem e se abrirem para o que os caras tem a dizer com suas imagens.
Aproveite e clique também na seção "in motion" do menu e baixe uns poadcasts de ensaios bem pirados de alguns integrantes desta tradicional agência de fotos.

Destaque no site também para o trampo acachapante do spanhomezzobrazuca Miguel Rio Branco.

capisci?



trilha sonora: The seeds on the ground - Airto aquele que já destruiu tudo com feras como miles davis, hermeto, moacir santos, herbie hancock e o scambau. Vá com fé que, quem procura acha, ou é achado. tânquis pela présa, ao meu amigo rodrigovsky.

fluindo